O que é o inventário em cartório e como ele funciona

O inventário é o processo legal de identificar, listar e dividir os bens de uma pessoa que faleceu. Sem ele, os herdeiros não conseguem colocar o imóvel em seu nome, movimentar contas ou transferir veículos.

Existem dois caminhos:

O caminho judicial passa pelo Judiciário. Um juiz conduz o processo. Pode levar de 1 a 5 anos — às vezes mais. Os custos são maiores e o desgaste é considerável.

O caminho pelo cartório é conduzido num cartório de notas. Um tabelião — o profissional responsável pelo cartório — formaliza o acordo entre os herdeiros. O resultado é uma escritura de inventário e divisão dos bens, documento com valor legal equivalente ao de uma sentença judicial.

O processo em cartório costuma durar de 30 a 90 dias, dependendo da agilidade na entrega dos documentos e da complexidade dos bens.

Um detalhe importante: mesmo no inventário em cartório, é obrigatório contratar um advogado. Ele orienta os herdeiros, verifica os documentos e assina a escritura junto com o tabelião. Sem advogado, o cartório não pode lavrar a escritura.

Para entender o processo completo de herança no Brasil, acesse o Herança e Inventário no Brasil: O Guia Completo 2026.


Quem pode usar o inventário em cartório

Nem toda família pode usar essa opção. Para fazer o inventário em cartório, todas as seguintes condições precisam ser atendidas:

1. Todos os herdeiros devem ser maiores de 18 anos e capazes

Se houver um herdeiro menor de idade — um neto, por exemplo — o processo precisa ir para a Justiça. O juiz protege os interesses de quem não pode decidir por si mesmo.

2. Todos os herdeiros precisam concordar com a divisão

Se houver qualquer desacordo sobre quem fica com o quê, o cartório não pode resolver. A briga vai para o Judiciário.

3. Não pode haver testamento — ou, se houver, ele precisa já estar aprovado judicialmente

Quando a pessoa deixou um testamento, ele precisa primeiro passar por um processo judicial específico chamado abertura de testamento. Só depois pode ser executado em cartório.

4. O falecido não pode ter deixado dívidas que impeçam a divisão

Se houver dívidas que consumam todo o patrimônio ou que estejam sendo cobradas na Justiça, o caso pode ser mais complexo.

Se seu caso atende a todas essas condições, o inventário em cartório é uma opção acessível e ágil. Se não atende, há outros caminhos — mas é preciso falar com um especialista para entender o melhor.

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Caso concreto: a família de Dona Neuza

Dona Neuza, 67 anos, mora em Campinas. Seu marido, Seu Raimundo, faleceu em março deixando um apartamento quitado e uma conta corrente com R$ 18.000.

Os filhos do casal são Marcos, 44 anos, e Sandra, 41 anos. Os dois concordam que a herança deve ser dividida igualmente: metade para cada um.

Não havia testamento. Não havia dívidas. Os dois filhos são adultos e estão de acordo.

O caso de Dona Neuza se encaixa perfeitamente no inventário em cartório.

Com a ajuda de um advogado, a família reuniu os documentos em cerca de três semanas. O cartório lavrou a escritura de inventário e divisão dos bens. Em 45 dias, o apartamento estava registrado em nome dos dois filhos e o valor da conta foi transferido.

Se tivessem optado pelo processo judicial sem necessidade, poderiam ter esperado anos — e gasto muito mais.


Passo a passo: como fazer o inventário em cartório

Siga esta sequência para não perder tempo:

Passo 1 — Contrate um advogado

É obrigatório. O advogado vai orientar todo o processo, verificar os documentos e assinar a escritura. Pesquise advogados especializados em direito das famílias e herança.

Passo 2 — Reúna os documentos do falecido

Você vai precisar de:

Passo 3 — Reúna os documentos dos herdeiros

Todos precisam apresentar:

Passo 4 — Vá a um cartório de notas

Qualquer cartório de notas do Brasil pode fazer o inventário — não precisa ser na cidade onde o falecido morava. Escolha o de maior conveniência para os herdeiros.

Passo 5 — O cartório verifica tudo e lavra a escritura

O tabelião analisa os documentos, certifica-se de que não há impedimentos e redige a escritura de inventário e divisão dos bens. Todos os herdeiros assinam, junto com o advogado.

Passo 6 — Registre e transfira os bens

Com a escritura em mãos, cada herdeiro leva o documento aos órgãos competentes:


Quanto custa o inventário em cartório

Essa é uma dúvida frequente — e a resposta depende de alguns fatores.

ITCMD — o imposto estadual sobre herança

Todo processo de herança cobra o ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação). É um imposto estadual — cada estado define sua alíquota (o percentual cobrado). No Brasil, varia geralmente entre 2% e 8% do valor total dos bens.

Emolumentos do cartório

São as taxas cobradas pelo cartório para lavrar a escritura. Também variam por estado. Em média, ficam entre 1% e 2% do valor dos bens.

Honorários do advogado

O advogado cobra por seus serviços. Não existe um valor fixo — pode variar bastante. Peça orçamentos a mais de um profissional.

Exemplo prático:

Um apartamento avaliado em R$ 300.000 em São Paulo (onde o ITCMD é de 4%):

Parece muito, mas comparado ao custo de um processo judicial — que pode durar anos e incluir múltiplas audiências — em muitos casos o inventário em cartório ainda sai mais barato no total.

Além disso, alguns estados têm isenção de ITCMD para heranças de baixo valor. Vale verificar as regras do seu estado.


Erros comuns — o que evitar

Esperar para começar

O prazo para abrir o inventário é de 60 dias a partir da data do falecimento. Em muitos estados, atrasar gera multa sobre o ITCMD. Não deixe para depois.

Tentar fazer sem advogado

Algumas famílias tentam economizar e buscam o cartório sem contratar um advogado. O cartório simplesmente não aceita. A lei exige um advogado — sem exceção.

Não verificar se todos os bens estão listados

Esquecer um imóvel, uma conta ou um veículo gera problemas futuros. Faça um levantamento completo de tudo que o falecido possuía.

Ignorar dívidas existentes

Se o falecido tinha dívidas, elas precisam ser consideradas antes da divisão dos bens. Ignorar isso pode levar a problemas legais para os herdeiros mais tarde.

Presumir que todos os cartórios cobram o mesmo

Os emolumentos são tabelados por estado, mas o advogado é livre para definir seus honorários. Pesquise e compare.


Perguntas Frequentes

Posso fazer o inventário em cartório se o falecido morava em outro estado?

Sim. Qualquer cartório de notas do Brasil pode lavrar a escritura de inventário, independentemente de onde o falecido morava ou onde estão os bens. Você pode escolher o cartório mais conveniente para os herdeiros. O que importa é que todos os documentos estejam corretos e que todos os herdeiros ou seus representantes legais assinem a escritura.

O que acontece se um dos herdeiros não quiser assinar?

Se um herdeiro se recusa a assinar a escritura, o inventário em cartório não pode ser feito. A discordância precisa ser resolvida pela Justiça. Nesses casos, um juiz conduz o processo judicial de inventário e pode determinar a divisão dos bens. É uma situação mais demorada e cara, mas há caminhos para resolver mesmo assim.

Preciso de advogado mesmo se a família estiver de acordo?

Sim, sempre. A lei brasileira exige a presença de um advogado em todo inventário em cartório — mesmo que os herdeiros estejam em total acordo. O advogado assina a escritura junto com os herdeiros e o tabelião. Sem essa assinatura, o cartório não pode lavrar o documento. Isso é uma proteção legal para todos os envolvidos.

O inventário em cartório é válido para imóveis financiados?

Depende. Se o imóvel ainda tem parcelas pendentes de financiamento, é necessário verificar com o banco credor antes de avançar com o inventário. O banco pode ter condições específicas para a transferência do financiamento aos herdeiros. Em muitos casos é possível resolver, mas é preciso incluir o banco nas tratativas desde o início.

Quanto tempo demora o inventário em cartório?

Em média, de 30 a 90 dias após a entrega de todos os documentos. O principal fator que acelera ou atrasa é a agilidade dos herdeiros em reunir a documentação. Quanto mais organizada a família, mais rápido o processo. Se houver algum impedimento ou documentação incompleta, o prazo pode se estender.


Conclusão

O inventário em cartório pode ser uma saída muito mais prática e rápida para organizar a herança. Em vez de anos num processo judicial, muitas famílias resolvem tudo em menos de três meses.

Mas ele só é possível quando todos os herdeiros são maiores, estão de acordo e não há testamento ou dívidas complicadas. Verificar esses requisitos é o primeiro passo.

Se você perdeu alguém recentemente, não espere. O prazo para abrir o inventário é curto. Consulte um especialista, entenda seu caso e tome a decisão com informação.

Para saber mais sobre todos os aspectos da herança no Brasil, leia o Herança e Inventário no Brasil: O Guia Completo 2026.


Cada caso de herança é diferente. Fale com um especialista do IGP e descubra o melhor caminho para a sua situação.


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